segunda-feira, 26 de maio de 2014

Posso arborizar uma rua?

Por Zeildo Mendes
Recebemos uma consulta muito interessante. Talvez também seja dúvida de outras pessoas. Aqui está o
questionamento feito por Poline Arantes: “Você sabe se existe algo que impeça pessoas de arborizar uma rua? Uma comunidade que acha interessante ter árvores na sua rua pode plantar árvores?”.

Eis nosso posicionamento:

Não é raro encontrarmos campanhas do tipo “Plante uma árvore”, “10 boas razões para plantar árvores” ou algo parecido. De fato, é consenso que plantar árvores é muito salutar e contribui sobremaneira para a qualidade ambiental. Não é necessário ser especialista para sentir os benefícios de uma árvore, a começar pela sombra, além das flores e frutos alimentam o corpo e alma. Nossos amigos de áreas como biologia e agronomia podem falar desses benfícios com mais propriedade.

Apesar disso, a resposta que poderia parecer óbvia, não é tanto assim. Imaginemos que os moradores de uma determinada rua resolvam fazer o plantio em um logradouro público, sem a devida consulta à prefeitura, já que se trata de um espaço público e o objetivo é o mais nobre possível: contribuir com o meio ambiente. De antemão, inúmeros questionamentos necessitam ser feitos acerca desse plantio: quais as espécies de árvores serão plantadas? Árvores de grande ou de pequeno porte? O tipo de solo está preparado para recebê-las ou será necessário um trabalho prévio para que a planta não pereça? Elas se adéquam aos equipamentos existentes, tais como rede elétrica, rede de esgotos, construções existentes etc.? Quem será responsável pela manutenção dessas árvores? Percebamos que não é só o ato de plantar. Além dessas, existem outras variáveis técnicas que não são desprezíveis.

Na realidade, o espaço é público e, sendo assim, não se permite às pessoas, à revelia do órgão municipal, intervir nesse espaço. Por mais nobre que seja a intenção, deve-se procurar o poder público e solicitar autorização e orientação para a ação desejada. O órgão é obrigado a dar uma resposta ao cidadão.

A prefeitura certamente terá uma orientação paisagística adequada. É provável que nas escolhas das espécies sejam observados aspectos que podem significar problemas futuros, como o tipo de frutos e folhagem, de forma a minimizar os serviços de limpeza urbana. O porte das árvores, caules e raízes, a depender da localização, também implicam em potenciais danos às construções existentes, aos sistemas de esgotamento sanitário e redes elétricas. Como se vê existem muitos aspectos a considerar.

Portanto, o melhor caminho será procurar o órgão municipal e pedir orientação. É possível que a própria prefeitura disponha de viveiros, com mudas de árvores próprias para cada local. Talvez seja viável promover uma parceria com a comunidade para fazer tudo isso da forma correta, inclusive realizando uma campanha que envolva um maior número de pessoas.

É bom lembrar que o desenvolvimento sustentável pressupõe o equilíbrio entre as dimensões ambientais, sociais e econômicas. Qualquer intervenção no meio ambiente deve ter em mente a busca do equilíbrio entre esses três pilares.

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