segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Trânsito e Meio Ambiente


Por Zeildo Mendes *

Passadas as festividades de final de ano, chega o momento de cumprir as promessas pendentes. O convite feito pelos editores da "Sala de Trânsito" para trazer algumas informações sobre "Trânsito e Meio Ambiente" é uma honrosa incumbência que acabou sendo bastante protelada, talvez em virtude da responsabilidade que é opinar neste espaço, que trata de tema da mais alta relevância nos dias atuais.

Alguém poderia perguntar o que tem a ver o trânsito com as questões ambientais. Convém esclarecer que a ideia atual de meio ambiente não se restringe à antiga concepção comum de natureza. Diz respeito à interação de elementos que compõem o planeta como um todo. Engloba aspectos naturais, artificiais, culturais e tudo mais que venha a influenciar a vida existente sobre a Terra. Há uma relação dinâmica de todos esses elementos, de forma que a vida os influencia e sofre sua influência, atingindo direta ou indiretamente o que Fritjof Capra denomina "teia da vida".

O trânsito está inserido no meio ambiente urbano e agrega-se, sobretudo, ao denominado meio ambiente artificial. Portanto, não são poucos os aspectos relativos às questões de trânsito que têm repercussão sobre os temas ambientais. Poderíamos destacar, de plano, a poluição como o principal aspecto que interessa a nossa abordagem. A partir daí poderíamos tecer comentários acerca de previsões existentes no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que têm claramente o cunho de proteção ambiental, a exemplo do art. 231, que considera infração gravíssima o ato de transitar com o veículo derramando combustível ou lubrificante sobre a via. Também seria possível abordarmos as emissões de CO2 feitas pelos veículos, já que o setor de transporte é responsável por parte significativa dessas emissões. Contudo, neste momento, gostaria de chamar a atenção para uma preocupação mais palpável e que diz respeito especialmente a cada um de nós motoristas, que é o dispositivo previsto no art. 172 do CTB "Atirar do veículo ou abandonar na via objetos ou substâncias: infração média".

Lançar objeto, ou seja, lixo em via pública é algo intolerável nos dias atuais. Essa prática, além de em algumas situações causar riscos de acidentes, é uma das maiores demonstrações de ausência completa de educação. Essa agressão ao meio ambiente é intolerável não apenas quando praticada pelos ocupantes de veículos, mas por qualquer pessoa, em qualquer situação. Nada a justifica, seja nas cidades, seja nas rodovias. Deve ser veementemente repudiada em nossa sociedade nos dias atuais.

Devemos compreender que cada um de nós é responsável pelo lixo que produz. O simples fato de inexistir equipamento adequado na via pública para depositar o resíduo que produzimos não nos garante o direito de atirá-lo em qualquer lugar. Não há problema em guardar o resíduo dentro do veículo, na bolsa, no bolso ou na própria mão e, ao chegar em casa ou no trabalho, dar-lhe a destinação adequada. Isso demonstra urbanidade, cidadania, educação.

Apesar da previsão do CTB, não percebo o engajamento do poder público para coibir essa prática repugnante, que demonstra um total descompromisso com o meio onde se vive. Há uma frase que, felizmente, vem ganhando visibilidade e que bem explica toda essa preocupação: "Do ponto de vista do planeta, não existe jogar lixo fora". Pensemos nisso!

* Zeildo Mendes é professor de Legislação Ambiental em programas de pós-graduação. Currículo Lattes.

Publicação original Sala de Trânsito às 10:04 de 06/01/2014. Trânsito e Meio Ambiente

4 comentários:

  1. Sejamos nós os EDUCADORES nessa difícil, porém sublime, missão de abrir os olhos dos que ainda não conseguiram enxergar a fragilidade humana, apesar de sua arrogância. O planeta, pode levar tempo, mas ainda assim se recuperará, já o homem...

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  2. Educação ambiental: “Formar uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e com os problemas com ele relacionados, uma população que tenha conhecimento, competências, estado de espírito, motivações e sentido de empenhamento que lhe permita trabalhar individualmente e coletivamente para resolver os problemas atuais para impedir que eles se repitam”.

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  3. Educação vem de berço, e a falta dela é o reflexo que temos nas ruas.

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  4. A falta de educação (ambiental, de trânsito, doméstica) é comumente vivenciada no cotidiano dos grandes centros urbanos, das áreas rurais, nas escolas, no serviço público, nas lojas, mercados, prestadores de serviços...é tanta intolerância! Ninguém pode esperar uma manobra do veículo a sua frente sem buzinar! Não se respeita a faixa de pedestres (nem os próprios pedestres!). Os ciclistas se aventuram nas vias das cidades. Os motociclistas acreditam ter 7 vidas...E o que dizer dos resíduos que cada um gera? tão fácil para muitos e muitos abrir a janela e lançar na rua, como algo tão normal!!!! Muitas vezes de veículos que só podem ser adquiridos por quem tem alto poder aquisitivo são jogadas latinhas de bebidas, papeis de bombons, etc. Os próprios transeuntes após se deliciarem com um saco de pipoca ou picolé não sentem nenhum tipo de constrangimento ao jogar na via pública o saco vazio ou o palito usado. E por aí vai. Vai pra onde? Não existe jogar lixo fora, porque não existe fora. Tudo fica no meio, no MEIO AMBIENTE em que vivemos. Pura FALTA de educação!

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