terça-feira, 18 de outubro de 2011

Lixo hospitalar norteamericano: um caso de dano moral ambiental


Percebi nos últimos dias a indignação de pessoas de diversos lugares em relação ao caso da importação de lixo hospitalar dos Estados Unidos. O fato noticiado no Brasil inteiro sobre tecidos contaminados, que se destinariam a alguns municípios do Agreste Pernambucano, como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru, não para de causar problemas.

O que me chamou mais atenção foi ouvir de comerciantes que as repercussões já apareciam na vertiginosa queda nas suas receitas. Afirma-se que chega a 50% a queda nas vendas dos dias que se seguiram aos fatos divulgados.


A meu ver, todo o pólo de confecções do agreste foi atingido. As roupas fabricadas nesses municípios, pelo simples fato de sua localização, passam a gerar uma dúvida na cabeça do consumidor. E na duvida procura-se outro vendedor.

Esse caso consegue traduzir o exato significado da expressão “dano moral ambiental”, ainda motivo de discussões no meio jurídico sobre sua possibilidade. Não tenho dúvidas de sua existência. Ele atinge pessoas indeterminadas e ligadas por uma circunstância de fato. Resta encontrar os meios jurídicos para alcançar a todos os responsáveis pelo dano causado.

Afinal, quem arcará com os custos da reconstrução da imagem das principais atividades dessas cidades? Será uma empresa de pequeno porte que seguiu o canto da sereia em busca do lucro fácil? Ou será o exportador que contraria os princípios basilares do comércio internacional e das noções mais elementares de cuidado com a saúde humana?

4 comentários:

  1. Atitude vergonhosa que denigre bastante a imagem do estado de Pernambuco fora e dentro do país. Pernambuco estava sendo considerado uma referência em relação ao varejo de roupas, agora, com esta insensatez, o Estado perderá o espaço conquistado e o povo mais uma vez pagará o pato.

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  2. Como sempre, o povo paga o pato. Felizmente as pessoas que trabalham no polo são empreendedores por natureza e estão, a duras custas, conseguindo reverter o quadro, que foi desolador.

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    1. O mais complicado é o governador quer dar o caso por encerrado.
      O lixo foi destinado para ser incinerado aqui no Brasil, deveria ter sido enviado de volta ao EUA. E quem paga o custo é o Brasil.....

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    2. Embora não costume postar os comentários anônimos, mas como se trata de um tema e uma questão de interesse geral, convém abordá-lo aqui. Em viagens que faço pela BR 232 tenho visto diversos outdoors de um parlamentar dizendo que o lixo foi devolvido aos EUA. Também vi uma notícia a esse respeito na TV. Não sei ao certo se houve realmente devolução. Vejo que esse não é o maior problema. Mas concordo em parte com esse comentário, pois a simples devolução e mesmo aplicação de sanção penal aos importadores não repara os danos causados. Esses danos vão muito além de custos operacionais relacionados ao lixo. Refiro-me aos danos morais e materiais que sofreram e sofrem todos os comerciantes sérios que trabalham arduamente no pólo de confecções. Até hoje as roupas são estigmatizadas e é comum aqueles comerciantes e fabricantes serem questionados sobre a origem do tecido dos bolsos de sua roupas. Houve quedas nas vendas, redução dos preços e perda de credibilidade. Quem pagará esses prejuízos? Não vi nenhuma tentativa de qualquer entidade ou parlamentar cogitar essa reparação a quem quer que seja, nem mesmo um pedido de retratação pública internacional das autoridades do país exportador. Isso seria uma demonstração de atitude de soberania, mas parece que nossas autoridades estão mais interessadas "jogar para a plateia".

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